A função da Filosofia é dar voz às pessoas !
Estas foram as palavras do professor Richard Fonseca ao abrir o III Congresso Internacional de Filosofia e Educação realizado no Colégio Notre Dame, Rua Barão da Torre, 308, em Ipanema, Rio de Janeiro. O Congresso foi entre os dias 12 e 14 de julho de 2007 e nele se discutiu a possibilidade da Filosofia promover a intervenção social: “Educar é Transformar?”
Para o professor Marcos Lorieri(UNINOVE) é importante a introdução da Filosofia no ensino fundamental. Ele prefere o termo iniciação à Filosofia ou sensibilização, no lugar de Filosofia para Crianças. Segundo Loriere, há aqueles que não consideram que a Filosofia seja capaz de provocar a transformação social. Provocou risos ao afirmar:- São indivíduos para quem a Filosofia é como o xuxu: “tanto faz comer como esfregar por fora da barriga”, não faz diferença. Para ele a escola deve estimular o aluno a perguntar: -“a criança, por natureza, pergunta sobre tudo”. A partir da oitava série,não pergunta mais. Passa a ser desestimulada pelo próprio professor. A escola deve mudar e usar o diálogo como recurso para esta transformação.
Para a professora Angélica Sátiro, brasileira, com trabalhos realizados em Barcelona, Espanha e na Guatemala, a Filosofia pode promover a intervenção social à medida que estimula os jovens com uma vida melhor para si e para seu país. Na Guatemala, terra de furacões, terremotos e mais de vinte línguas diferentes, ela planejou e executou um projeto que mudou a vida das pessoas: denominado “La Voz de los Sueños”, o projeto procurou resgatar a força da palavra e combater a “mente miserável” que, segundo ela, é negativa e destrói os sonhos. Conseguiu institucionalizar o ensino de Filosofia para 8.000 jovens daquele país.
O professor Darcísio Muraro, Diretor do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças(CBFPC), destacou o conceito de “comunidade de investigação”, do educador Matthew Lipman, como capaz de contribuir para grandes mudanças nas escolas. O método de Lipman age nas questões fundamentais que afligem os professores: a falta de interesse dos alunos, a desatenção e a incapacidade de raciocínio. A sala de aula se transforma em uma comunidade de investigação quando o professor se torna o moderador na discussão de questões relevantes. Os alunos são capazes de esperar sua vez para falar, ouvir o colega com atenção e saber fazer perguntas. A sala se torna um lugar “seguro”, no sentido de que o aluno não tem medo de perguntar ou expor suas idéias. Esse é o caminho da grande transformação que a escola deve realizar.
A professora Jen Glaser(Israel) abordou o tema “A Importância da Educação para a Justiça Social”. Para ela a escola pode intervir na sociedade à medida que estimula nos jovens a solidariedade e a participação. É importante imaginarmos uma sociedade melhor, com reconhecimentos mútuos, preocupação e cuidados com o outro. Que se faça a busca por valores compartilhados, com rejeição à exploração/paternalismo. – “A educação é capaz de criar o cidadão individualmente responsável, participativo, orientado para a justiça”. Para Jen Glaser todos que trabalham com educação devem pensar no poder que têm de modificar a sociedade.
No Colégio NotreDame, local do Congresso, durante três dias, se sentiu, se viu e se respirou Filosofia e Educação. Nas salas, as palestras. No pátio, a apresentação das crianças e jovens: vídeos, peças teatrais, painéis, músicas e exposições. Nas paredes, pelos corredores, perguntas, muitas perguntas, afinal, o importante não é saber perguntar? Anotei ainda um pensamento que considerei bem significativo:”No Século XXI, analfabetos não serão aqueles que não souberem ler ou escrever, mas aqueles que não forem capazes de desaprender para reaprender em seguida”.
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