A saia justa da Uniban
O estranho caso da aluna Geisy, quase linchada pelos colegas por usar uma minissaia nas dependências da Universidade Bandeirante de São Paulo, parece sair das páginas de uma obra de ficção. O modelito surgiu nos anos 60 e foi aceito como uma forma moderna das adolescentes fugirem dos padrões tradicionais das mulheres da época. Quase 50 anos depois uma aluna é perseguida e expulsa da Universidade por usar um traje idêntico. Embora essa medida extrema tenha sido revogada pela direção da Uniban, o mal produzido na futura carreira da estudante dificilmente será revertido. Imaginem o clima que ela encontrará no improvável retorno às aulas. Vamos imaginar esta aluna em uma faculdade carioca. Inicialmente passaria despercebida entre muitas outras com roupas idênticas ou mais curtas. Receberia convite para se tornar a rainha da bateria ou desfilaria em cima de um carro alegórico. O enredo seria o preconceito contra a mulher. Daria entrevistas e sairia nas capas das revistas mais famosas. Num outro cenário, um filme americano, desses que passa nas sessões da tarde, seria a aluna mais popular e invejada pela ousadia. Certamente teria seguidoras querendo fazer parte de sua turma. Caberia a ela decidir quem aceitava ou excluía do grupo. Seria escolhida chefe da torcida das equipes de basquetebol da escola. Chico Buarque de Holanda, nosso grande compositor e escritor, em sua genialidade, só errou no nome quando escreveu há algumas décadas a letra que dizia : “Joga pedra na Geny”. No caso atual a vítima é Geisy e eu corro o risco de acertar na minha previsão. Quem sabe não teremos a Geisy na Passarela do Samba em 2010, trajando uma minissaia rosa com adereços verdes, desfilando na mais popular escola de samba da cidade? Bem mais de acordo com nossos dias de verão que chegou sem aviso.
A queda de braço dos royalties do pré-sal
O presidente Lula cedeu à pressão dos governadores do Rio, Espírito Santo e São Paulo e aumentou a participação dos estados produtores na receita de royalties do pré-sal de 18%- que fora estabelecida pela proposta do relator Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)- para 25%. A fatia dos municípios com instalações passa de 2% para 3% enquanto a da União recua de 30% para 22%. O governador Sérgio Cabral se mostrou satisfeito com o resultado: “Se não é o ideal, é um percentual possível, afirmou”. A proposta inicial dos governadores oscilava entre 25% e 30%. Foi um exemplo clássico de negociação: pedir mais para conseguir o desejável. Sem dúvida que a época da negociação, às vésperas das eleições de 2010, ajudou os governadores, cujo apoio à candidata do presidente Lula é muito bem-vindo. Com exceção do de Serra, é claro.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário